quinta-feira, 13 de maio de 2010

AS ORIGENS DA GENÉTICA



1. PRIMEIRAS IDÉIAS SOBRE HERANÇA BIOLÓGICA

GENÉTICA: é a área da Biologia que estuda a herança biológica, ou hereditariedade.
As primeiras idéias sobre hereditariedade eram provenientes do senso comum.

OS FILÓSOFOS GREGOS E A HEREDITARIEDADE

Alcmeon de Crotona (500 a.C.) acreditava que homens e mulheres tinham sêmen e que este se originava no cérebro.
Empédocles de Acragas (492-432 a.C.) afirmava que o calor do útero era decisivo na determinação do sexo dos bebês.
Anaxágoras de Clazomene (500-428 a.C.) postulava que o sêmen ocorria apenas no homem e continha um protótipo de cada órgão do futuro ser.

A PANGÊNESE DE HIPÓCRATES

Hipócrates de Cos (460-370 a.C.), o “pai” da Medicina, formulou uma hipótese denominada pangênese. Segundo ela, cada órgão do corpo de um organismo vivo produzia partículas hereditárias chamadas gêmulas, que eram transmitidas aos descendentes no momento da concepção.

IDÉIAS DE ARISTÓTELES SOBRE HEREDITARIEDADE

O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu o livro “De generatione animalium”. Ele distinguiu quatro tipos de geração: a) abiogênese; b) brotamento; c) reprodução sexuada sem cópula; d) reprodução sexuada com cópula.

2. AS BASES DA HEREDITARIEDADE

O médico inglês William Harvey (1578-1657) propôs que todo animal se origina de um ovo, em latim, ex ovo omni.
Já o botânico inglês Nehemia Grew (1641-1711) que sugeriu ser o grão de pólen o elemento masculino na reprodução das plantas com flores, apoiado pelo botânico alemão Rudolf Jakob Camerarius (1665-1721) em seu livro “De sexu plantarum epistola”.

A TEORIA DA PRÉ-FORMAÇÃO

Afirmava que havia um ser pré-formado no ovo; o desenvolvimento consistia apenas no crescimento.
Entre os defensores do pré-formismo existia os “ovistas” e os “espermistas”.

A TEORIA DA EPIGÊNESE

Propõe que a nutrição e o crescimento das plantas dependem de uma força essencial, por ele denominada vis essentialis, que tem o poder de formar novos órgãos a partir de material amorfo.

A DESCOBERTA DOS ESPERMATOZÓDES

Em 1667, o microscopista holandês Antonie van Leeuwenhoek descobriu que o sêmen expelido pelos machos contém enorme quantidade de criaturas microscópicas, os espermatozóides.
Já em 1784, o padre e cientista italiano Lazzaro Spallanzani, um ovista, concluiu, equivocadamente, que os espermatozóides não participavam da fertilização.
Somente em 1841 que o anatomista e fisiologista suíço Rudolf Albert von Kölliker (1817-1905), ao estudar a estrutura microscópica dos testículos, demonstrou que o espermatozóide são células modificadas. Pouco tempo depois, o naturalista inglês George Newport (1803-1854) obteve evidências que os espermatozóides de rã entram no óvulo durante a fecundação.

A DESCOBERTA DO ÓVULO

O médico holandês Regnier de Graaf (1641-1673) relacionou os inchaços observados nos ovários de fêmeas de mamíferos com a formação de elementos reprodutivos. Em 1828, o naturalista alemão Karl Ernest von Baer (1792-1876) descobriu o óvulo, mas somente em 1861 que o anatomista alemão Karl Gegenbaur (1826-1903) demonstrou que o óvulo dos animais vertebrados é uma única célula.

GAMETAS E FECUNDAÇÃO

Após a demonstração definitiva de que espermatozóide e óvulos animais são células consolidou-se a idéia de que um novo ser surge sempre a partir da união de gametas.
Somente na segunda metade do século XIX que se afirmou a idéia de que, a formação de um novo ser envolve a fusão de apenas duas células, processo fecundação ou fertilização.

3. DESCOBERTAS DOS CROMOSSOMOS E DAS DIVISÕES CELULARES

Os cientistas franceses Henri Dutrochet (1776-1847) e François Raspail (1794-1878) e os alemães Mathias Jakob Scheiden (1804-1881), Theodor Schwann (1810-1882) e Rudolf Virchow (1821-1902), ente outros, chegaram a conclusão de que a célula é o constituinte fundamental dos seres vivos e a sede dos processos vitais. Em 1855, Rudolf Virchow resumiu na frase em latim “omnis cellula ex cellula”.
Em 1873, Friedrich Anton Schneider (1831-1890) publicou uma das primeiras descrições das complexas alterações nucleares que ocorreram durante a divisão da célula, hoje chamada mitose.
Em 1882, o anatomista alemão Walther Flemming (1843-1905) descreveu o comportamento dos filamentos nucleares no decorrer da divisão de uma célula. O alemão Heinrich Wilhelm Gottfried Waldeyer (1836-1921), em 1888, chamou esses filamentos de cromossomos.

PROF. ESP. GLAUBER COIMBRA
CRBIO 5ª REGIÃO Nº 67.525/05-D

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